segunda-feira, maio 29, 2006

Empatia primeira

Sentou-se no balanço daquele parque e embalou-se. Tinha oitenta e dois anos, trinta com seu cachecol. De poucas palavras, sentia-se muito sozinho naqueles dias.
Um menininho, que por ali brincava, achou legal aquele velhinho estar num lugar onde, normalmente, ele vira crianças. Senta-se no balanço ao lado.
- O senhor também gosta de brincar?
- Não. Só do balanço.
- Eu tambem gosto do balanço. Minha mãe me empurra bem alto.
- Eu não tenho mãe. - disse secamente o velho.
- Não?? Claro que tem...todo mundo tem mãe!- com desenvoltura disse o garoto.
- Eu não tenho. Ela já morreu. Aliás, todo mundo. Você, eu, todo mundo um dia vai morrer.. ou se sentir sozinho.
O meninho, nenhum um pouco espantado com as lamúrias daquele velho, cujo cachecol lhe parecia alegre, falou:
- Ah... isso eu já sei. Meu pai me contou que um dia todos dormem pra sempre. - o garoto senta-se no chão - Mas meu pai nunca sabe responder pra onde as pessoas vão depois de morrerem... O senhor sabe?
- Ninguém sabe... talvez para o mesmo lugar de onde viemos.
- De onde a gente veio?
- Não lembro.

C.J.

Um comentário:

Anônimo disse...

Maldito rio lethe!