terça-feira, julho 18, 2006

Poeta bom, poeta morto - 1ª parte - Diário de Guerra 18-07-2006

Quando eu nasci
Um anjo só baixou
Falou que eu seria
um executivo
E desde então eu fico
com meu banjo
Executando os rock’s
do meu livro
Pisando em falso com
meus panos quentes
Meu primeiro amor passou, o segundo também. O terceiro não teve destino diferente. O quarto foi um aprendizado. E este periga nascer morto. Toca o telefone. Sei que não é você. Atendo. De fato não era. Engano. Acendo o cigarro. A tragada me traz alívio. A noite é fria. Fria demais para mim. Preciso de você ao meu lado, mas você, ali, não está. O chiado do rádio é minha trilha sonora. Por que você não fica comigo? Outra tragada. Esta não traz alívio. Me estiro na cama. Penso em chorar, mas o choro não vem. Me cubro, o calor não aquece. Levanto, me olho no espelho e não me vejo. Onde está você agora? Com as amigas? Uma companhia mais interessante por certo. Acendo um cigarro com a ponta do último. Abro um livro e tento, em vão, me concentrar nele. Tento não ceder às memórias, mas o turbilhão de pensamentos derruba qualquer resistência que tentei levantar. O último beijo, apertado e com um triz de saliva, seus olhos de lindos azuis, mas que nunca foram meus, o último abraço, a mordiscada no pescoço, o silêncio gostoso de depois. E jogo o livro longe e desarrumo a cama e jogo os lençóis ao chão e quebro a cadeira no guarda-roupa e sua porta vai ao chão e parto-a em duas, três, em quatro pedaços e derrubo a estante. O rodopiar de um livro drummondiano (amar se aprende amando) me faz cessar. Sento na escrivaninha.Vem aqui, fica comigo, esquece por um momento aquilo que nos separa. Mas você não esquece. Alguém bate à porta: “o que aconteceu?”, não a abro e respondo: “coisas da vida!”. Deixe de lado tudo aquilo separa e fica comigo. Mas você não deixa. Por quê você não deixa? Que importância tem isso? A idéia não era sermos felizes? Com o quarto redecorado, procuro meus cigarros. Acho-os e acendo outro. Minha mão sangra. Dei-me conta disso quando percebi meu lado esquerdo do peito com uma grande mancha rubra. Certa vez me disseram que o amor tudo salva. Que a beleza da vida é a vida a dois. Olho minha mão, olho meu peito, o ferimento não estanca. O sangue corre. Minhas mãos estão sujas. Olho o ferimento mais de perto. Há uma lasca de madeira. Abro-o, e desta arte, a retiro. Mais sangue. Minha crença é que as agruras que se apresentam no dia-a-dia seriam aniquiladas. E onde, ao final, iria ser iluminada por uma aurora de amor. Mas os dissabor nosso de cada dia falseia mais e mais isto. O telefone toca. Sei que não é você. Atendo. Mas desligo antes do alô. E retiro o fone do gancho e novamente vou para o cigarro. Talvez você tenha razão, não importa quem sou, mas o capital que giro. Talvez seja melhor matar o melhor de mim. Pois ele está desvalorizado.

2 comentários:

Daniel disse...

Wow...

*inveja*

o.o

Fantástico Neto... nem tem oque dizer...

Daniel disse...

Talvez você tenha razão, não importa quem sou, mas o capital que giro.

Tive de fazer outro comentário, puta que pariu Neto.

Porra, faça o favor de não escrever bem assim que as outras pessoas desistem =(

hehe

abraços!