
Pois há menos peixinhos
A nadar no mar
Do que os beijinhos
Que darei na sua boca
Nos encontramos. Passadas as tempestades, enfim te encontro. Palavras são trocadas. Algumas em tom de confissão e, já outras, de galhofa. E rimos e ficamos sérios. Estou contente mas inseguro. Inseguro mas ansioso. Ansioso mas retraído. Minhas mãos tumultuosas me delatam. Colocá-las no bolso? Segurar o copo? Não creio que adiantaria: meus ombros dançariam uma dança engraçada ou o vinho rapidamente encontraria a mesa. O local bem iluminado premia a qualquer um, que possa ver, com a graça de seu rosto em flor. Desabrochando em risos e sorrisos alegrando meu coração. Pessoas entram e saem do ambiente. Com seus temores e tristezas, alegrias e encantos. Mas só vejo você e teus temores, só vejo você e teus encantos. Enfeitiçado, insisto em parecer sereno. Mas deixei a serenidade em casa. Sabe como é: só não esqueço a cabeça... Mas ainda lembro: seus cabelos que tanto se enlaçam ao menor toque. E, por isso, timidamente reclama e chega a ruborizar. De fato não ligo, mas acho engraçado como te ocupas disso e pergunto o porquê. E o faço para ouvir a melifluosidade de suas palavras, sempre encadeadas como se houvesse desvendado o segredo rítmico da poesia de si. Não bastassem as mãos, estas minhas inimigas, meu peito pula mais que tico-tico no fubá. Tento não demonstrá-lo, creio que consigo, mas não tenho certeza. De incerteza em incerteza vou andando. Nossa como o tempo passa!, a pouco tinha impressão que você não vinha e agora já se passaram duas horas. Duas horas que pareceram dez minutos, dez minutos de um batuque estranho de meus dedos para o bailar de meus tico-ticos. Precisamos ir a algum lugar, este fecha já. Sem caminho definido nos levantamos (minha perna, além de machucada, bamba de tanta vergonha) e vamos para fora. No sereno te olho. Silêncio. Seus olhos, de lindos azuis, estão em mim. Me aproximo minhas mãos amigas te trazem para junto. Nossos lábios se encontram. E por fim o beijo.
2 comentários:
Mas esse aí não foi aquele que em vez de roubar pra ele roubava pros outros?
Ele é burro!
E a proposito.
Sobre sua "duvida":
O que está sendo conservado é metaforicamente, a floresta onde todos são caça.
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