Véspera de natal. O saracotear de minha mãe ocupa toda a cozinha: abre a geladeira, pega algo, fecha-a, prepara algo, abre-a novamente, guarda algo, e torna a fecha-la. Instantes depois: abre o forno, tempero, deita mais tempero, fecha o forno. Embora o cheiro do assado me agrade, fujo para junto de meu pai. Olhos fixo na tv, não me percebe. Troca o canal, nisto acendo um cigarro. Troca o canal, dou uma baforada. Troca de canal... Entre um trago e uma troca, imagens felizes desejam feliz natal e vendem algo. Não necessariamente nesta mesma ordem. Saio, tomo outro banho à espera da ceia. Que por fim vem. Comemos, bebemos, rimos e tudo o mais. Vem a troca de presentes. Fico contente, afinal, estava precisando de meias. Recebo uma mensagem no celular: "Feliz natal! Papai noel disse q ia deixar meu presente na tua casa. Não esqueca d me entregar hein? Haha. Bj". Nada mais, nada menos que meu desjo de adolescente: Priscila. Telefono e conversamos. Está em compania de amigos. Combino um retorno dali há uns quinze minutos para fazermos algo nesta noite feliz. Antes, porém, teria que me comunicar com o Vinícius pois havíamos marcado uma bebederia para hoje. Ligo, mas ele dorme: pílulas. Sobrevém o desânimo. Deito. Novamente desisto da Pri. Fecho os olhos. Toca o telefone: Priscila, a dos Anjos, e sua irmã Regina. Trocamos algumas palavras. Comenta sobre uma possível balada. Me acovardo e finjo preguiça. Nos despedimos. Uma noite, duas Priscilas, o mesmo erro. Injuriado, resolvo dar uma volta. Encontro um posto de gasolina, abasteço: tomo três cervejas trocando conceitos com o frentista. Compro mais uma e me despeço. Volto para casa, outro caminho. A meio caminho de casa, estacionado, um gol e adiante um carro de polícia. A janela do carona do automóvel vermelho está quebrado. O policial anota algo num bloco. O motorista mostra-se furioso. Sigo meu caminho. No dobrar da esquina: um carrinho, desses de puxar papelão, está parado. À sua frente uma mulher ajoelhada, cabeça levemente apoiada sobre os dedos magros, reza. Logo compreendo a situação: seu irmão, ou algo assim, pede uma esmola. O carro vermelho nega. O irmão insiste. O carro xinga. Pedra, mão, vidro, estilhaço, fuga, polícia! Tenho quase certeza, é o marido. Pois percebo uma criança de dois, três anos, que entre papelões e ranho começa a soluçar. A mãe me percebe. Olha-me nos olhos. Vejo o reflexo do mercúrio em seu rosto. Tomo um gole da cerveja e sigo meu caminho.terça-feira, março 28, 2006
Diário de Guerra 24-25/12/2005
Véspera de natal. O saracotear de minha mãe ocupa toda a cozinha: abre a geladeira, pega algo, fecha-a, prepara algo, abre-a novamente, guarda algo, e torna a fecha-la. Instantes depois: abre o forno, tempero, deita mais tempero, fecha o forno. Embora o cheiro do assado me agrade, fujo para junto de meu pai. Olhos fixo na tv, não me percebe. Troca o canal, nisto acendo um cigarro. Troca o canal, dou uma baforada. Troca de canal... Entre um trago e uma troca, imagens felizes desejam feliz natal e vendem algo. Não necessariamente nesta mesma ordem. Saio, tomo outro banho à espera da ceia. Que por fim vem. Comemos, bebemos, rimos e tudo o mais. Vem a troca de presentes. Fico contente, afinal, estava precisando de meias. Recebo uma mensagem no celular: "Feliz natal! Papai noel disse q ia deixar meu presente na tua casa. Não esqueca d me entregar hein? Haha. Bj". Nada mais, nada menos que meu desjo de adolescente: Priscila. Telefono e conversamos. Está em compania de amigos. Combino um retorno dali há uns quinze minutos para fazermos algo nesta noite feliz. Antes, porém, teria que me comunicar com o Vinícius pois havíamos marcado uma bebederia para hoje. Ligo, mas ele dorme: pílulas. Sobrevém o desânimo. Deito. Novamente desisto da Pri. Fecho os olhos. Toca o telefone: Priscila, a dos Anjos, e sua irmã Regina. Trocamos algumas palavras. Comenta sobre uma possível balada. Me acovardo e finjo preguiça. Nos despedimos. Uma noite, duas Priscilas, o mesmo erro. Injuriado, resolvo dar uma volta. Encontro um posto de gasolina, abasteço: tomo três cervejas trocando conceitos com o frentista. Compro mais uma e me despeço. Volto para casa, outro caminho. A meio caminho de casa, estacionado, um gol e adiante um carro de polícia. A janela do carona do automóvel vermelho está quebrado. O policial anota algo num bloco. O motorista mostra-se furioso. Sigo meu caminho. No dobrar da esquina: um carrinho, desses de puxar papelão, está parado. À sua frente uma mulher ajoelhada, cabeça levemente apoiada sobre os dedos magros, reza. Logo compreendo a situação: seu irmão, ou algo assim, pede uma esmola. O carro vermelho nega. O irmão insiste. O carro xinga. Pedra, mão, vidro, estilhaço, fuga, polícia! Tenho quase certeza, é o marido. Pois percebo uma criança de dois, três anos, que entre papelões e ranho começa a soluçar. A mãe me percebe. Olha-me nos olhos. Vejo o reflexo do mercúrio em seu rosto. Tomo um gole da cerveja e sigo meu caminho.
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Um comentário:
Nossa
sinceramente esse foi um dos melhores blogs q eu jah vi(e o maior q jah li) e realmente fiquei impressionada com as hirtorias q o Tata jah se meteu ele parece tao quieto e aplicado mas como ele msm disse esperto sim, zoneiro sim mas aplicado naum
ahuahuahuahu
bem como jah disse o blog eh otimo sente soh to ateh sem palavras entao eh soh isso msm
Tata te adoro mto
Bjus....
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